quinta-feira, 14 de julho de 2011

Drinking coffee every day

1

Já era noite,

o tempo já me consumía.

O cabelo e a cara amarela

uma é natural

a outra é de anemía.

2

Esse lugar me dá nojo.

Abaixo de mim, a escória da humanidade.

"É hora de saltar do quinto,

cair no lixo, não morrer sorrindo."

3

Lá no céu a Esperança,

nome de mulher amarga.

O azul é como andar de bicicleta,

é como caminhar contra o vento por essa cidade.

"A Esperança, essa mulher amarga.",

4

Contas

contas

e mais contas.

5

O que pensará esta vizinha quando eu cair?

Aliás, quem me disse que é uma vizinha?

As prateleiras, claro - mulher gosta muito de plateleiras.

Toda mulher necessita um suporte.

6

Visão escura,

É o que eu não necessito nessa hora.

De que adianta uma sala de reuniões,

se nem amigos tenho para visitarem-me?

Vou por minha droga.

7

Aí estás.

Por favor,

desce e não demora

não borbulha

nem esfumaça agora.

Eu só quero consumir.

8

Por que tamanha lentidão?

É para culpar-me de todos que já fiz esperar?

É para dizer que todos esperavam de mim um gênio e saí blasfemo?

9

Esse é meu futuro, túnel escuro.

Ou a morte, ou a droga.

Essa é minha história.

10

Tu chegaste, minha amada.

Agora vou te consumir.

Droga negra

que vida minha alegra.

11

Uma vez mais, é assim:

ela me salvou.

Uma vez mais, eu direi:

-Drinking coffee every day.


____________


para ver esse poema em foto-novela, aqui está: http://www.flickr.com/photos/dukanadois/drinking-coffee

1 comentários:

simone gallego disse...

O poema assusta e diverte. A fotonovela ficou absurdamente interessante....

beijos vermelhos e verdes....
pra retocar tamanho amarelo!

:o)

simone
www.embuscadepoesia.blosgpot.com